JOGUE LIMPO COM O DIRTY MARTINI

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A origem de um bom Martini é muito incerta, e mais de uma versão é aceita pelos amantes e pesquisadores de bebidas. Ao longo da história, diferentes bebidas que carregavam o mesmo nome que o Martini foram servidos em diferentes mesas e em diferentes ocasiões. Em 1888, por exemplo, no Manual do Barman, ele era a simples mistura de um bom e velho Gim com Vermute, nas mesmas proporções. Porém, em 1863, na Itália, fora lançado a marca de bebidas Martini, sugerindo que essa fosse a receita base para os drinks.

Existe essa outra versão, que data dos meados da década de 1860, em que um drink chamado Martinez, de mesma receita, chamava bastante a atenção dos hóspedes do Hotel Occidental, em São Francisco, Califórnia, e que estavam a caminho de Martinez, ou voltando de lá, comumente em uma ferryboat, ou balsa, como chamamos aqui. Só não se sabe se a cidade de Martinez recebeu o nome graças a popularidade do drink, ou o drink graças a popularidade da cidade.

Em uma outra versão completamente diferente, a primeira vez que um Dry Martini fora preparado – e então, tendo originado as outras versões de Martini – fora entre 1911 e 1912 por um barman de mesmo nome, ou seja Martini, no Knickerbocker, em Nova York.

Bom, é claro que por aí a conversa vai, e papo vai papo vem, nada melhor do que aproveitar uma boa conversa com uma versão menos glamour, mas igualmente saborosa do Dry Martini, sim o Dirty Martini.

Para preparar o Dirty Martini, separe:

60 ml de Gim;

15ml de Vermute seco;

15ml de suco de azeitonas (a salmoura do pote de azeitonas);

1 azeitona;

Gelo;

Bom, o modo de preparo, como vocês podem imaginar, pode variar, já que existem pessoas que preferem este cocktail misturado, e aquelas que apenas deliciam um Dirty Martini batido. Mas logo voltamos a esse assunto.

Para não causar intrigas, o método tradicional é que os ingredientes, menos as azeitonas, sejam colocados, com gelo, em uma coqueteleira, e suavemente batidos, para que o gelo não quebre. Adicione em uma taça para coquetéis, sem o gelo, e espete de uma a três azeitonas em um palito, para enfeitá-lo. Pronto, um drink digno de um evento chiquérrimo, e super fácil de preparar, não?

Mas, por que tanto mistério com o modo de preparo? Bem, há quem diga que o ato de misturar, ao invés de bater, faz com que o gelo não corrompa a bebida, tornado-a mais saborosa e menos aguada. Já um antigo escritor britânico uma vez disse que o Martini deve ser batido, para que suas moléculas se misturem sensualmente umas entre as outras. Além disso, Bradford é considerado o nome “oficial” para a bebida que carrega os mesmos ingredientes que o Martini, mas que são preparados mexidos, e não batidos. Bom, independente de como o seu Martini seja preparado, que seja apreciado da melhor maneira possível, certo?

Foi Ernest Hemingway, escritor norte-americano, que disse certa vez que o verdadeiro – e por que não perfeito? – Martini deveria conter mais Vermute do que Gim, caso contrário, o Vermute seria apenas a “sombra” da garrafa sobre o Gim. E ele ainda, quando questionado sobre as dosagens, disse a célebre frase:

“Se você estiver perdido na selva africana ou no deserto do Saara, não se desespere. Comece a preparar um Dry Martini e eu lhe garanto que em menos de 5 minutos vai aparecer alguém dizendo que a dosagem de gim e vermute está errada!” 

Essa anedota tem origem em uma das maiores polêmicas que envolvem o Martini: a dosagem ideal dos ingredientes. Claro que a receita citada acima é baseada em experiências comuns em diferentes bares de diferentes barmans e conhecedores do assunto, mas quando o assunto é preparar um drink, quem confia nas medidas, não é mesmo?

Ainda sobre a receita, é comum que em muitos lugares o Dirty Martini seja servido com algumas variações interessantes, como a exclusão do Vermute. Outros defendem que a bebida deve sempre ser feita com Gin de Plymouth, uma cidade britânica, uma vez que em 1922, em Londres, a receita de Martini fora oficialmente “decretada” pelos pubs locais, que tornaram a bebida bastante famosa a partir de então, especialmente pelas mãos de Harry Craddock, famoso bartender das décadas de 1920 e 1930 de Londres que, no ano de 1930, publicou o “The Savoy Cocktail Book”, que continha a receita que até hoje tomamos como oficial.

Vale lembrar que, nesse período dos anos 1920, os Estados Unidos começavam uma ostensiva Lei Seca, forçando os amantes das bebidas alcoólicas a procurarem bares europeus e cubanos para uma degustação sem pesar na consciência da lei.

Alguns nomes notáveis foram fãs do Martini, desde a ficção até o nosso mundo real. Bond, com o Vodka Martini, talvez seja o mais icônico, mas além dele, Luis Buñuel, cineasta espanhol, fazia dos Martinis parte essencial no processo de criação. Escritores como Noël Coward e Somerset Maugham, ambos britânicos, também tiveram suas afeições pelas misturas variadas do Martini.

O segredo para o Martini ser a bebida mais apreciada do mundo? Talvez a elegância, o requinte, além é claro do sabor único e forte que desperta sensações únicas no paladar e olfato, tornando cada drink ainda mais especial.

Tanto o Dry como o Dirty martini – e também o Perfect Martini – são comumente apreciados como aperitivos, já que o Vermute é uma bebida que estimula o apetite, aguçando o nosso paladar para os mais variados pratos que a culinária nos pode oferecer.

Por que o Dirty Martini recebe essa nomenclatura? Para nós, brasileiros, pode parecer pejorativo, já que dirty para nós pode ser traduzido imediatamente como “sujeira” ou seja, “Martini sujo”, enquanto o Dry Martini leva a alcunha de “Martini seco”. Bom, na verdade, Dirty também pode significar apenas algo impuro, ou que não foi purificado completamente. Independente disto, a verdade é que esse é um nome que apenas designa uma sutil diferença no preparo entre o Dry e o Dirty, já que um carrega tons ácidos, por levar licor de laranja, enquanto o outro tende para o salgado, com o salmoura de azeitona.

Independente de qual Martini faça sua noite mais feliz, sua pedida sempre será certeira na hora de impressionar as pessoas. Além disso, quando ele está sendo preparado por você mesmo, para um jantar romântico ou uma reunião de amigos, o olhômetro é o nosso melhor parâmetro!

Não se acanhe e prepare o melhor tipo de Martini que lhe agradar: o seu!

Abaixo temos o video da bartender Clarissa Kinder ensinando como preparar um delicioso Dirty Martini. Confira!

 

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admin


2 comentários no post “JOGUE LIMPO COM O DIRTY MARTINI

  1. Caramba muito bom. Cara vcs mandam muito bem.
    Esse é o melhor canal de conhecimento sobre nossa profissão.

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